Doce de Ovos

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Diz a história que a doçaria portuguesa tem na doçaria conventual uma expressão única e singular sem igual noutros países do mundo. Criada muitos séculos atrás, dentro das portas dos conventos e mosteiros, acabou pela força do destino e da história por sair para o mundo e estender-se além-fronteiras para se dar a conhecer.

E tudo começou assim…não se sabe bem como nem quando pois é de loucos pensar que as gemas eram deitadas fora ou serviam de alimento para animais até ao dia em que, um não sei o quê aconteceu por um não sei porquê e as gemas se encontraram com o açúcar.

Então é certo dizer que terem-se cruzado foi o melhor que podia ter acontecido para a história da doçaria portuguesa pois deu inicio ao que veio a ser a Doçaria Conventual reconhecida internacionalmente como uma das melhores doçarias do mundo.

Não nos interessa realmente saber quando se deu esse encontro, ele tem séculos de existência, mas suspeita-se que foi no Mosteiro de Jesus de Aveiro onde tudo começou, pois reza a história que aí se deu, em primeira mão, o encontro feliz entre as gemas e o açúcar tendo resultado dele o famoso Doce de Ovos ou Ovos-moles, como quiserem chamar-lhes.

Típico de Aveiro o Doce de Ovos é um dos doces mais apreciados dos país e está na origem de muitos outros que não teriam conhecido a luz do dia sem a sua existência, tal é o caso dos papos de anjo, das castanhas doces, dos celestes de Sta. Clara, dos ovos-moles de Aveiro, das gargantas de freira, das trouxas-de-ovos e dos fios-de-ovos que viajaram para fora das nossas fronteiras e alcançaram reconhecimento internacional.

Nós cá em casa não conseguimos resistir a uma taça de Doce de Ovos, é impossível depois de fazer Molotof não fazer doce de ovos, é impossível não aproveitar para desfrutar desse doce prazer que eles nos dão!

 

RECEITAS

 

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  1. fácil de fazer
  2. a textura aveludada e cremosa
  3. o sabor autêntico do doce de ovos feito em casa
  4. a versatilidade

 

Ingredientes: 

  • 8 gemas
  • 335g de açúcar
  • 270ml de água
  • 1 tira de casca de limão

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Modo de Preparação: 

Num tacho junte o açúcar com a água e a casca de limão. Leve ao lume e espere que ferva sem nunca mexer.

Quando começar a ferver conte 5 minutos,  desligue o lume, retire a casca do limão e deixe arrefecer.

Quando a calda que esteve a fazer estiver fria, bata as gemas numa tigela e de seguida passe-as por um passador de rede deixando-as cair em fio para dentro da calda mexendo com um garfo para envolver bem.

nota: espere que as gemas caiam todas do passador até parar de correr, mas não lhes mexa para as fazer cair, elas têm que cair sem qualquer intervenção. Desta forma todos os fios das gemas vão ficar no passador.

De seguida leve novamente ao lume o tacho, vá mexendo sempre, e espere até engrossar. Tenha atenção e mantenha o lume brando para não deixar ferver a mistura pois caso contrário vai talhar os ovos. Quando começar a engrossar, continue a mexer, conte mais ou menos 2 minutos para os ovos cozinharem bem e desligue o lume.

Deixe arrefecer 2 a 3 minutos e depois com a ajuda da varinha mágica bata o preparado até este ficar homogéneo e cremoso. O seu Doce de Ovos está pronto a usar!

nota: vai verificar que quando sai do lume o aspecto do Doce de Ovos não é uniforme, por isso é sempre necessário bater com as varras de arame ou com a varinha mágica.

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Pode, e deve, servir o Doce de Ovos com Molotof e depois o que sobrar coma como sobremesa ou ao lanche a acompanhar Croissants Brioche, Gaufres, Waffers uns Rollitos de Baunilha ou qualquer outra coisa de que se lembre…

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  1. Não se mexe no açúcar quando está ao lume com a água pois se o fizer ele vai criar cristais nas paredes do tacho e queimar o que vai dar mau sabor ao doce.
  2. Quando as gemas estão no passador não se mexe nas mesmas, não se devem nunca pressionar para caírem pois isso faz com que também caiam peles do ovo para o doce que lhe vão dar um cheiro a ovo desagradável. Também não se limpa com a colher o passador por baixo como fazemos noutras situações pois o resultado seria o mesmo, simplesmente se deixa correr o ovo até parar e depois descarta-se o que fica por dentro e por fora do passador.

 

Testámos e gostámos…!

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Molotof

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Nós e o Molotof temos uma história para contar…uma história de repetições sem fim para encontrar a fórmula certa para conseguir o nosso Molotof de sonho. Seguimos muitas receitas e muitas dicas… cozer em banho-maria ou talvez não? no fim a porta do forno fica aberta ou fechada? deixa-se a arrefecer no forno ou fora dele? enfim uma verdadeira loucura que quase nos levou a dizer não fazemos Molotof e pronto!

Mas um Molotof é demasiado bom para se desistir dele e além disso nós não somos de desistir, ai não somos mesmo, por isso pusemos mãos à obra e repetimos a dose até ao momento X, estava encontrada a fórmula correcta, simples, fácil e eficaz.

Simplesmente maravilhoso o Molotof é leve, suave, macio, fofo…enfim uma textura deliciosa e irresistível que nos deixa sempre com vontade de mais um bocadinho.

O Molotof é uma das nossas sobremesas favoritas, é rápido de fazer, não é demasiado doce e basicamente só leva claras. Se conseguirmos resistir à tentação do Doce de Ovo é uma sobremesa espetacular e sem pecado.

 

RECEITAS

 

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  1. A textura leve, suave, macia e fofa
  2. O sabor a caramelo

 

Ingredientes: 

  • 8 claras
  • 8 c. (sopa) de açúcar
  • 8 gotas de sumo de limão
  • caramelo líquido q.b.
  • manteiga para untar a forma q.b.

nota: pode fazer o caramelo em casa ou utilizar caramelo líquido de compra

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Modo de Preparação: 

Comece por untar bem uma forma de buraco (aprox. 25 cm de diâmetro) com a manteiga.

Bata as claras em castelo até começarem a crescer e a ficarem brancas. Nessa altura, sem parar de bater, junte o limão.

De seguida, continuando sempre a bater, vá juntando o açúcar aos poucos até as claras estarem bem firmes. Isso vê-se quando ao levantar as varetas de bater se formam picos de clara na extremidade das mesmas (a isto chama-se ponto de merengue).

Para terminar, e sempre continuando a bater, junte às claras o caramelo a gosto até obter uma coloração dourada que pode ser mais clara ou mais escura dependendo da quantidade de caramelo que quiser adicionar.

Pegue na forma e, com a ajuda de uma espátula, vá colocando dentro desta as claras aos poucos e alisando-as para ficarem bem acamadas de forma a não criarem bolsas de ar no interior, no final alise cuidadosamente a superfície.

Leve ao forno, pré-aquecido a 170ºC, durante 11,5 minutos. No fim do tempo retire do forno e deixe arrefecer na forma.

nota: não caia na tentação de mexer no forno até ao final do tempo, pode parecer que está a ficar escuro ou queimado e pensar em abrir o forno para ver, não o faça espere até ao final do tempo e depois desligue o forno.

Quando o Molotof estiver totalmente frio desenforme para um prato e coloque no frigorífico até ao momento de servir. Antes de levar para a mesa regue com caramelo e acompanhe com Doce de Ovo.

nota: há quem coloque o Doce de Ovo por cima do Molotof, nós preferimos servi-lo numa molheira e deixar para cada um a responsabilidade de lidar com a sua gula!!

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  1. O limão é essencial para estabilizar as claras e lhes dar a densidade que necessitam para ficarem bem firmes.
  2. A forma deve ser de alumínio, pois aquece rapidamente e coze melhor o Molotof. Por outro lado também arrefece muito rápido evitando que o Molotof continue a cozer depois de sair do forno.
  3. O tempo de cozedura deve ser calculado em função do número de claras e contando 1,42 minutos por cada clara.

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Testámos e gostámos…!

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